26/12/2004 - Lei manda Almeida pagar salário de dezembro
Procurador Regional do Trabalho diz que novo prefeito não pode alegar que
última folha é responsabilidade de Kátia
LUIZA BARREIROS
A decisão do prefeito eleito Cícero Almeida (PDT) de não
pagar, em janeiro, o salário de dezembro dos servidores públicos
municipais não tem fundamentação legal. Para o procurador-chefe
da Procuradoria Regional do Trabalho em Alagoas, Antonio de Oliveira Lima, Almeida
não pode deixar de pagar o salário de dezembro alegando ser uma
obrigação da prefeita Kátia Born (PSB) e que seu compromisso
com os servidores começa a partir de 1º de janeiro, quando iniciará
seu mandato. “O prefeito não pode deixar de pagar as dívidas
do município, alegando que foram contraídas pelo antigo gestor.
Principalmente em se tratando de salário, que é crédito
privilegiado, dada a sua natureza alimentar”, justificou o procurador.
Segundo ele, qualquer dívida contraída e não paga durante
uma determinada gestão pode ser cobrada e deve ser paga nas gestões
seguintes. “O município não pode alegar o término
do mandato de seu gestor para deixar de pagar suas dívidas, assim como
uma empresa do setor privado não pode deixar de pagar suas dívidas
sob a alegação de que trocou de gerente”, comparou.
precatórios
Ele reforça seu entendimento afirmando que, se os municípios pudessem
deixar de pagar suas dívidas, alegando tratar-se de obrigação
contraídas na gestão anterior – como vem sendo dito por
Cícero Almeida –, nenhum deles pagaria precatórios (obrigações
decorrentes de condenações judiciais, correspondentes a dívidas
contraídas e não pagas administrativamente), já que a maioria
dos precatórios corresponde a dívidas de gestões anteriores.
Cícero Almeida anunciou o “calote” nos servidores na última
terça-feira, durante um discurso na Assembléia Legislativa. No
mesmo dia, a prefeita Kátia Born concluiu o pagamento da folha de novembro
e do 13º salário dos servidores e anunciou que o mês de dezembro
teria que ser pago pelo seu sucessor, a partir do dia 10 de janeiro, com recursos
do FPM, ICMS e ISS, que ingressassem nos cofres do município no dia 5.
Segundo a prefeita, como o fechamento da folha funcional ocorre no último
dia de cada mês e as receitas geradas em um mês pagam o mês
anterior, não haveria atraso no pagamento, mas apenas continuidade da
programação feita pela Secretaria de Finanças.
O impasse foi sendo criado sem muito barulho, mas agora começa a ganhar
tamanho, com a proximidade da posse de Almeida na Prefeitura. Por enquanto,
os únicos servidores com salário de dezembro garantido são
os que ocupam cargos comissionados.
Fonte: Gazeta de Alagoas (AL)
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