21/2/2005 - Professoras fazem denúncias contra Carlão
As professoras Edna Rodrigues de Moura e Isis Mora da Costa, sindicalizadas no Sinter/RR (Sindicato dos Servidores em Educação do Estado de Roraima) procuraram a reportagem da Folha para denunciar o atual presidente da entidade, Carlos Alberto dos Santos Vieira (o Carlão).
Segundo Edna Moura, também membro da chapa “Moralização”, Carlão já deveria estar fora do Sinter por infringir o próprio Estatuto da entidade. “Ele deveria ser expulso do sindicato por cometer crimes contra o patrimônio da entidade”, disse.
Apresentando provas materiais, Edna denunciou que Carlão emitiu vários cheques sem fundos. Os cheques são os de número 006676 (R$ 7.622,00 no dia 01/11/2003), 000092 (R$ 7.400,00 no dia 03/11/2003), 000101 (R$ 8.571,00 no dia 06/02/2004) e o cheque 000102 (R$ 8.571,00 no dia 06/03/2004).
“Todos os cheques foram devolvidos pela Caixa Econômica Federal porque estavam sem fundo”, colocou Edna. Ainda de acordo com a professora, os cheques estão em execução e Carlão também deixou o prédio do Sinter/RR ir a penhora para pagamento das dívidas.
Nos registros do Serasa constam ainda outros 28 cheques sem fundo e 10 protestos de títulos – todos emitidos na gestão de Carlão. “E como prova temos as certidões positivas”, adiantou a professora.
Segundo a denunciante, antes de afastar-se para concorrer às eleições do Sinter, no próximo dia 25, Carlão ainda fez uma declaração falsa, através de escritura pública. Em 15 de agosto de 2003, Carlão informou ao Tabelionato do Segundo Ofício (Livro 37, folha 059) que não foi emitido até a presente data nenhuma cessão de direito creditório dos professores.
Entretanto, conforme as professoras, em 30 de agosto de 2002, cerca de um ano antes da declaração, Carlão firmou contrato com as empresas catarinenses CEUSA – Cerâmica Urussanga S/A e Thermovac Embalagens Plásticas. “Foram vendidos no total quinze milhões de reais em créditos trabalhistas (precatórios) no Cartório de registros de Títulos de Documentos de Cocal do Sul. E tal fato foi confirmado pela CPI promovida pela Assembléia Legislativa do Estado de Roraima (ALE/RR)”, afirmaram.
As duas professoras não param por aí. Elas também denunciam com vasta documentação que Carlão teria dilapidado o patrimônio do Sinter. Segundo elas, em 18 de outubro de 2004, o presidente deixou ser leiloado pela Justiça Federal uma caminhonete do Sindicato, por não pagar impostos federais.
“E com isso, Carlão infringiu o Estatuto da entidade, em seus artigos 8 (inciso III e IV) e 10 (inciso I), que diz que se um sindicalizado dilapidar o patrimônio do Sinter será excluído automaticamente da entidade e o reingresso dele somente ocorrerá depois de 2 anos. Se for membro da diretoria perde automaticamente o mandato”, alegou Isis, ressaltando que, diante dos crimes, as eleições deveriam ser canceladas e a atual direção imediatamente destituída, ficando o sindicato sob o controle de uma comissão interventora.
INTERVENÇÃO – Em setembro de 2004, u m grupo de professores sindicalizados, deu entrada na 5ª Vara Civil, em uma ação ordinária com pedido de liminar de intervenção no Sinter. Carlão foi citado, mas não se defendeu. O prazo de defesa extrapolou na quinta-feira passada, dia 18.
“Portanto, só falta o juiz prolatar a decisão para a comissão interventora assumir o sindicato – uma vez que Carlão não convocou eleição no tempo certo, de acordo com o Estatuto da entidade”, explicou Isis, justificando que agora, com as novas denúncias, a Justiça pode reconsiderar e deferir a liminar para evitar danos irreparáveis.
Diante das denúncias, e da fundamentação das provas, as professoras pedem que as autoridades competentes tomem providências imediatas. “Conclamamos o Ministério Público Federal e Estadual para adotar as providências que são da sua competência”, pediram as professoras.
RESPOSTA – A reportagem da Folha procurou o atual presidente do Sinter, Carlos Alberto Vieira, o Carlão, para ouvir sua versão sobre as denúncias feitas pelas professoras. A assessoria de imprensa do órgão informou que todas as denúncias informadas pelas professoras já foram feitas antes e comprovadas como sem fundamento pela assessoria jurídica da entidade e da atual diretoria.
Segundo o assessor, as professores que estão concorrendo as presidências da entidade estão se aproveitando do momento eleitoral pelo qual o Sinter atravessa para confundir a cabeça dos professores. Segundo ele, a lisura de Carlão para concorrer às eleições foi comprovada pela própria Comissão Eleitoral que não impugnou a chapa que ele encabeça autorizando sua participação no pleito.
A assessoria informou ainda que todos os que estão tentando denegrir a imagem de Carlão serão acionados juridicamente pelo sindicato. (C.C)
Fonte: Folha de Boa Vista (RR)
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