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22/2/2005 - Seqüestro de verba reacende

O seqüestro de verbas da Prefeitura de Piracicaba, determinado na semana passada pela Justiça, reacendeu o tradicional embate político local entre PT e PSDB, partidos que há 16 anos se revezam no poder na cidade. O término do período de trégua política, observado no final de 2004, durante a transição de governo, teve início nos últimos dias com trocas de acusações sobre os números da dívida e também sobre decisões que teriam ajudado a provocar a "bomba" detonada pela sentença judicial de recolhimento de recursos.
Ao falar sobre o seqüestro, o prefeito Barjas Negri (PSDB) disse reconhecer que o ex-prefeito José Machado (PT) tentou pagar o precatório da Stavias (que requisitou as verbas), mas pecou em não saldar um parcelamento, reduzindo as chances de negociação com a empresa. Ressaltou também que a dívida herdada por ele é maior do que a divulgada por Machado. O mesmo fez o membro da Executiva local do PSDB e ex-procurador do município João Carlos Carcanholo, que disse que Machado "omitiu" dívidas judiciais na transição.
O presidente do PT de Piracicaba, José Ferreira Assis, afirmou que observa uma tentativa de "forçar a barra" do governo Barjas, em justificar eventuais não-cumprimentos de promessas jogando a culpa no antigo governo. "Tenho consciência que nosso governo passou dados reais. Dar a entender que pegou uma situação caótica cria má sensação, não beneficia ninguém."
O governo Barjas começou o ano afirmando que herdou uma dívida de R$ 18 milhões, mas depois disse ter descoberto dívidas pendentes com fornecedores que a elevaram para R$ 30 milhões.
Ontem, o secretário de Finanças na gestão Machado e membro do diretório municipal do PT, César Nadotti, reagiu. Deu a entender que o governo Barjas está manipulando dados. Segundo ele, o déficit deixado foi de R$ 19 milhões. Os restos a pagar teriam sido de R$ 31 milhões, mas com recursos em caixa para pagá-los, o que eliminaria a tese do valor ser uma dívida.
"Querer atribuir ao Machado essa dívida é um descalabro, isso não cola. Não queremos criar embate, mas eles (tucanos) não podem esperar que esse lado fique ouvindo tudo que está sendo dito quieto", disse o ex-secretário.
"O que originou esse seqüestro foi o mesmo que determinou um seqüestro de R$ 3 milhões no ano passado. Foi o fato do governo Humberto de Campos (PSDB) ter negociado um precatório na frente de outros, que se sentiram lesados e acionaram a Justiça. É uma bomba que estourou parte no colo do Machado e outra no do Barjas", emendou Nadotti. Campos disse na semana passada que procurou insistentemente a Stavias para negociar e que não fez dívidas judiciais em sua administração.
Segundo o ex-procurador tucano Carcanholo, o governo Machado omitiu uma dívida de R$ 100 milhões em sentenças judiciais, durante a transição. "Esse valor inclui os precatórios da desapropriação do Engenho Central, da área do terminal de ônibus central e as dívidas do Ipasp (Instituto de Previdência) e da mudança de lei do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), que transformou celetistas em estatuários. São débitos para se pagar em 20 anos."
O atual procurador-geral da prefeitura, Sérgio Bissoli, confirmou a tese. "Se incluir essas dívidas do INSS, o Engenho, dá R$ 100 milhões. Não participei da transição, mas o relatório que recebi não tinha esses dados", disse.
O ex-secretário de Finanças César Nadotti, porém, negou veementemente a suposta omissão. "Isso é político. O Carcanholo foi procurador e sabia dos precatórios. Os problemas do INSS e do Ipasp surgiram no governo Antonio Carlos de Mendes Thame (PSDB), que suspendeu o processo de reenquadramento de regime do Machado."

MACHADO – O ex-prefeito José Machado foi procurado ontem em seu gabinete na ANA (Agência Nacional de Águas), órgão que ele assumiu neste ano.
Uma funcionária disse que o informaria do assunto e retornaria assim que ele deixasse algumas reuniões, mas não ligou até o fechamento desta edição.

Fonte: Jornal de Piracicaba (SP)

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