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6/5/2005 - Sinter perde força e Siprom ocupa lacuna

Faz algum tempo que o Sinter (Sindicato dos Profissionais em Educação do Estado de Roraima) não é mais o mesmo. Desgastada pela insolúvel questão dos precatórios, a entidade caiu no descrédito junto à categoria que defende, abrindo espaço para o surgimento do Siprom (Sindicato dos Professores do Magistério Público de Roraima). O novo sindicato, fundado há pouco menos de um mês, atraiu para suas fileiras cerca de 150 dos quase 3 mil filiados desencantados com o rumo que toma o Sinter.
Mas a migração de filiados para o Siprom não é o seu principal trunfo. O novo sindicato, que pretende representar exclusivamente os professores estaduais, já nasceu ocupando o lugar que antes era do Sinter, ao sentar à mesa de negociação com o Governo do Estado para cobrar o cumprimento da Lei 480, que concede uma ligeira melhoria salarial para os profissionais do Magistério. Isso, no entanto, não quer dizer que a entidade conte com a simpatia de toda a categoria.
O professor Leopoldo Júnior, que comanda o Movimento de Base dos professores, não poupa crítica aos idealizadores da nova entidade. Ele disse que a fundação do Siprom foi “um ato de oportunismo”, que desrespeita inclusive o preceito constitucional, segundo o qual não podem existir dois sindicatos de uma única categoria numa mesma base territorial. Para Leopoldo Júnior, a criação do Siprom não contou com o aval da totalidade da categoria, que sequer foi ouvida em assembléia para externar os seus problemas e anseios.

“Eles [os cabeças do Siprom] simplesmente chegaram com um estatuto já pronto e formaram uma comissão provisória sem discutir nada com a base”, criticou. O professor afirmou que os idealizadores do sindicato cometeram o “erro imperdoável” de sentar à mesa de negociação com a secretária de Educação, Ilma Xaud, sem consultar os professores. “O Siprom está praticando estelionato político, quando negocia com a Secretaria de Educação sem uma consulta prévia à base”, alfinetou.
Leopoldo Júnior se recente do fato de ter iniciado o movimento para cobrar do governo o cumprimento da Lei 480 e agora está assistindo o Siprom tomar a frente das conversas, deixando a base à margem das negociações. Para ele, a comissão mista formada por representantes do Siprom, Sinter e das secretarias de Educação, Administração e Planejamento, além da Procuradoria-Geral do Estado tem a única finalidade de enfraquecer o movimento dos professores. “Essa comissão vai, na verdade, inviabilizar o cumprimento da lei”, prevê.
O presidente do Siprom, professor Jairzinho Rabelo, entende que a entidade tem uma finalidade diferente da do Sinter, que é representar exclusivamente os professores estaduais. Conforme ele, atualmente a entidade conta com 233 filiados e a tendência é que cresça ainda mais num curto espaço de tempo. O secretário de Comunicação, Paulo Thadeu, afirmou que muitos associados aguardam a confirmação da sua matrícula no sindicato.
Rabelo disse que a entidade vai negociar com o governo, mas sempre pressionando para que as demandas da categoria sejam atendidas. “Nós fizemos a proposta de criação de uma comissão mista para fazer o levantamento da capacidade financeira do Estado porque eles têm que cumprir a Lei 480, mas não sabem como. Vamos ajudar a abrir as portas”, afirm

Fonte: Folha de Boa Vista (RR)

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