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21/6/2005 - Bando aplicava o 'conto do precatório' em seis Estados

Quatro homens e quatro mulheres presos ontem, em Bertioga, na Baixada Santista, são acusados de roubar mais de R$ 500 mil de pessoas que tinham seguro de vida. Farsantes ligavam para vítimas se passando por funcionários de fórumOito pessoas - quatro homens e quatro mulheres -, acusados de aplicar o "conto do precatório" em dezenas de pessoas de pelo menos seis Estados brasileiros, foram presas ontem pela Polícia Civil de Bertioga, no Litoral Norte de São Paulo. Os policiais descobriram o bando após grampear o telefone utilizado pelos estelionatários.

O golpe era executado da seguinte maneira: um homem conseguia os nomes das vítimas em listas de seguro de vida e os encaminhava a um outro grupo, encarregado de descobrir os dados dos segurados, como endereço e telefone.

Feito o contato, o farsante se passava por um funcionário do Fórum de Bertioga e informava que a vítima tinha uma indenização a receber do seguro, mas que, para o dinheiro ser liberado, a mesma deveria arcar com custos do processo, em valores que, quase sempre, beiravam 10% do valor da falsa indenização.

Eles conseguiam levantar de cada pessoa de R$ 10 mil a R$ 30 mil. As vítimas, na maioria das vezes, estavam para receber apólices ou aguardavam ações na Justiça. Assim, acabavam sendo surpreendidas por telefonemas de verdadeiras boladas em dinheiro de indenização.

Dinheiro era depositado em contas de laranjas

O golpe foi apelidado de "conto do precatório' porque os acusados convenciam a pessoa a depositar imediatamente o dinheiro, para que a dívida não se transformasse em precatório - quando há demora para o recebimento da quantia. "Já apuramos um desfalque de R$ 500 mil, mas esse número deve ser infinitamente maior", contou o delegado de Bertioga José Aparecido Cardia. Segundo ele, até ontem, haviam sido identificadas 35 pessoas lesadas pela quadrilha.

As vítimas depositavam os valores requisitados em contas bancárias de laranjas. "Esses laranjas também deviam receber algo em troca do empréstimo da conta. Os estelionatários diziam às vítimas que o dinheiro cairia na conta de um escrevente do Fórum e que seria repassado ao juiz", acrescentou Cardia.

A quadrilha tinha escritórios em São Vicente em Praia Grande - chamados pelos policiais de "minifóruns", tamanha a quantidade de documentos ilícitos.

Os acusados, no entanto, são moradores da Capital. Hélio José Rodrigues, 60 anos, Sérgio Aparecido Faria, 44, Paulo Ricardo da Silva, 33, Adelina Ana Vieira, 55, Maria Cícera da Silva, 26, Giovana Franco, 29, Maria Josilene do Nascimento, 33, e Daniel do Santos, 44, o Saddam, foram presos em flagrante.

"O início da investigação foi fruto de um boletim de ocorrência feito em 25 de maio. Grampeamos o telefone dos estelionatários, com autorização da Justiça, e começamos a perceber a forma de agir deles, que era sempre a mesma. O Saddam providenciou até uma cartilha com detalhes, que deveria ser seguida à risca", contou Cardia.

Os acusados serão indiciados por formação de quadrilha, estelionato e falsificação de documentos.

Fonte: Jornal da Tarde (SP)

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